Estimativas mostram que 100 mil animais marinhos morrem todos os anos em decorrência da contaminação de plástico nos oceanos. Segundo pesquisa da Universidade de Queensland, na Austrália, mais da metade das tartarugas do mundo já ingeriram plástico.

Cerca de 8 milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos anualmente, o equivalente ao despejo nos mares do conteúdo de um caminhão de lixo por minuto.

Se esse processo de contaminação dos oceanos por lixo plástico continuar como atualmente, em 2050 haverá mais lixo do que peixes nos mares de todo o mundo. As informações são do portal Folha de S. Paulo.

E por que isso ocorre?

Esse consumo ocorre quando o animal, ao se alimentar, engole acidentalmente fragmentos de plástico que estão na área, ou quando esses fragmentos são, literalmente, confundidos com o alimento.

Por que os animais confundem plástico com comida?

A explicação de pesquisadores é que o plástico não só parece com comida. Ele também tem cheiro de comida.

“Tente cheirar um pedaço de plástico que você encontrar na água da próxima vez que estiver na praia”, sugere Erik Zettler, ecologista microbiano do Instituto Real Holandês de Pesquisas Marítimas. “Ele cheira a peixe.”

Zettler observa que isso acontece porque todo plástico no oceano é rapidamente colonizado por uma fina camada de micróbios, normalmente chamada de “plastisfério”

Essa viscosa camada de vida libera substâncias químicas que fazem o plástico ter cheiro e gosto de alimento para os animais marinhos.

Um composto específico, o metiltiometano ou sulfeto de dimetila (DMS, na sigla em inglês), atua como o estímulo químico que o plástico emite e é conhecido por atrair alguns animais, incluindo peixes.

A teoria, ao que tudo indica, também é válida para as aves marinhas quando caçam, já que encontram a comida pelo cheiro.

Mas outras espécies, como as baleias, estão consumindo plástico acidentalmente enquanto filtram a água por plâncton.

A causa do problema

A poluição do oceano por plástico é o resultado de um sistema mal estruturado, em que a fabricação de um produto não biodegradável pode continuar sendo feita sem controle. Ainda que seja possível reciclar, não há segurança de que os resíduos serão reciclados (não se pode contar com a reciclagem neste caso, uma vez que apenas 9% de todo o plástico produzido desde a década de 1950 foi reciclado).

Encontrar uma solução exige chegar à raiz do problema. É necessário que os governos levem isso em conta. As empresas precisam ser responsáveis pelo ciclo de vida completo de seus produtos, incluindo a coleta e a reutilização.

São necessárias campanhas contínuas sobre consumo que estimulem as pessoas a respeito do impacto do plástico descartável.

É preciso evitar produtos com embalagens desnecessárias, cobrar para que empresas mudem suas posturas e implantem embalagens biodegradáveis e recicláveis.

É necessário colocar essas ideias em prática para salvar a vida selvagem. Saiba mais