Quando os números de reciclagem da quarentena em São Paulo são analisados, a surpresa fica por conta do resultado: a coleta de resíduos recicláveis aumentou e a produção de lixo diminuiu.

De acordo com dados da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb) da prefeitura de São Paulo, houve uma queda de 12% na coleta comum, que inclui resíduos orgânicos e rejeitos, enquanto foram recolhidas 7,9 mil toneladas de recicláveis – um aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano passado, em que a coleta seletiva somou 6,4 mil toneladas.

Para a prefeitura, o fato da população estar em isolamento social fez com que as ruas ficassem mais limpas, além de consumir menos e conseguir se dedicar mais à separação do lixo, o que possibilita a coleta correta de tudo que é produzido. “Esses números, que são dados preliminares, podem estar ligados a uma maior adesão dos paulistanos à reciclagem, assim como uma menor geração de resíduos nas ruas durante o período de quarentena por causa do coronavírus”, informou a Amlurb, em nota.

Já para Carlos Silva Filho, diretor e presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), os números podem representar bem mais uma incerteza econômica do que uma consciência ambiental. “As pessoas estão, de fato, procurando consumir menos, mas o aumento de resíduos recicláveis mostra também uma mudança no perfil de consumo, para mais produtos embalados e alimentos congelados”, aponta.

Um levantamento realizado pela associação, revela ainda um crescimento de 20% a 40% da coleta de materiais recicláveis no país, o que não significa que a reciclagem cresça na mesma proporção. “Boa parte do volume coletado tem sido encaminhada para aterros sanitários devido ao fechamento ou à diminuição da atuação nas unidades de triagem em diversas cidades”, alerta ele.

Ainda sem previsão clara para o término do isolamento social, a questão do que é possível fazer individualmente para diminuir o volume de lixo ainda persiste. “O resíduo orgânico, composto por cascas de frutas, verduras e restos de alimentos, representa em média 50% do resíduo domiciliar urbano, que poderia ser transformado em adubo, mas ainda é destinado a aterros sanitários”, diz Fernando Beltrame, presidente da consultora em sustentabilidade Eccaplan e idealizador da campanha Sou Resíduo Zero.

“Com a quarentena, houve uma melhora na separação dos materiais recicláveis, porém o resíduo orgânico ainda é um desafio”, afirma Fernando. A gestão dos alimentos dentro de casa é uma boa tática para evitar gerar resíduos não recicláveis. As cascas e sobras podem ser usadas na compostagem.

Quanto aos recicláveis, é possível tentar evitar o consumo de materiais não recicláveis e sempre dar preferência aos produtos e embalagens biodegradáveis.

Fontes: FUNVERDE
Agência Brasil
Eccaplan