Pense no seguinte cenário: você é uma pessoa consciente. Consome apenas o necessário. Embalagens, apenas as biodegradáveis. Você separa o lixo e faz o descarte correto de todos os materiais recicláveis e orgânicos. Mas no prédio onde você mora não existe coleta seletiva, nenhuma cooperativa é parceira e os resíduos têm todos o mesmo descarte: o aterro sanitário de sua cidade. Parece loucura pensar assim, ter todo o cuidado de fazer a sua parte, para no final do dia, não resolver nada.

Infelizmente é isso o que acontece na maioria das cidades com a maioria das famílias. Segundo a ONU, a taxa de reciclagem ainda é de 11% no mundo todo, o que é muito baixo perto da produção e consumo de itens que podem ser facilmente reciclados. No Brasil, esse número cai para 7%.

A reciclagem é fundamental para diminuir a quantidade de resíduos que são enviados aos aterros sanitários. A maioria desses locais já se encontra superlotado e com seu tempo de vida esgotado. Muitos especialistas indicam a prática da reciclagem como a solução mais viável para aliviar esses locais.

O processo de reciclagem é o método mais limpo e eficiente para tratar os resíduos. Já na parte social, ele é essencial para sustentar milhões de catadores que dependem da venda desses itens recicláveis para sobreviver e manter suas famílias.

Como funciona a reciclagem?

Separação domiciliar e empresarial

A separação do lixo começa em casa, nas empresas e nas escolas. É preciso aprender desde cedo a importância do descarte correto de resíduos e dos rejeitos (materiais que não podem ser reaproveitados e são enviados aos aterros sanitários, como por exemplo lixo hospitalar). As cores específicas são: azul para papel/papelão; vermelho para plástico; verde para vidro; amarelo para metal; preto para madeira; laranja para resíduos perigosos (como pilhas e baterias); branco para resíduos de hospitais e serviço de saúde; roxo para lixo radioativo; marrom para lixo orgânico; cinza para lixo não reciclável, contaminado ou cuja separação não é possível. As lixeiras mais comuns e as mais fáceis de reciclar são as de papel, plástico, vidro e metal.

No entanto, alguns materiais não são recicláveis, e o seu destino deve ser diferente. O descarte desses objetos deve ser feito em pontos de coleta específicos. Entre eles, podemos citar:

  • cerâmicas;
  • acrílicos;
  • vidros do tipo pirex e similares;
  • espelhos;
  • pilhas e baterias em geral;
  • fitas e etiquetas adesivas;
  • fotografias;
  • papéis molhados ou sujos de gordura;
  • papéis plastificados, parafinados ou metalizados;
  • lâmpadas fluorescentes.

Coleta

Depois da separação, a conhece a coleta. A coleta seletiva é método que otimiza os processos de destinação do lixo. Algumas cidades e empresas possuem parcerias com cooperativas de catadores de resíduos, para onde são encaminhados os resíduos coletados após serem recolhidos (algumas vezes também são doados aos catadores independentes). Após isso, é feita uma triagem. Lá, serão separados por suas diversas categorias: plástico, vidro, papel colorido, papel branco, papelão, jornais, entre outros. O processo de separação é complexo e cuidado, pois muitas embalagens podem cortar as mãos dos trabalhadores, como as latas e os vidros.

Feito o procedimento, cada tipo de resíduo é empacotado e vai para a fase de prensagem. Uma máquina é responsável por prensar os materiais e compactá-los , facilitando assim o transporte para venda à empresas que fazem o processo de reciclagem.

Só aí então, eles serão transformados em matéria-prima para dar origem a novos produtos.

Recuperação

A partir do recebimentos da matéria-prima, empresas do ramo geram novos produtos que voltam para a sociedade. Papelaria, objetos para casa, garrafas, produtos de decoração e mais inúmeros objetos que deixam de ir para aterros sanitários e entram como consumo consciente nos milhares de lares.

Essa é como deveria ser a vida do produto que pode ser reciclado. Mais importante de tudo, por parte da população em geral, é a fiscalização. Seja do condomínio, do bairro ou da cidade em que vive.

E por fim, se você ainda não sabe o que fazer para ajudar, temos algumas dicas:

  • Incentivar cooperativas;
  • Se você mora em condomínio, incentivar coleta seletiva e separação de resíduos;
  • Separar resíduos dentro de casa e fazer o descarte correto;
  • Repensar o consumo e optar por produtos orgânicos e embalagens biodegradáveis;
  • Procurar por cooperativas para doar os resíduos separados em casa;
  • Compostagem;
  • Pesquisas sobre como sua cidade reage à coleta seletiva;
  • Assistir ao filme Wall-E (Disney, 2008).

Fontes: Revista Exame
ecycle.com.br
dinamicambiental.com.br
USP – Centro de Pesquisa
BRK Ambiental
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